Financiamento, parcelas da dívida, problemas na interligação e estimativa de economia levantam questionamentos sobre as vantagens do empreendimento
A usina fotovoltaica da Prefeitura de Catalão voltou ao centro do debate político nos últimos dias. Inaugurado pela administração anterior em dezembro de 2024, o empreendimento ainda não entrou em funcionamento. Além disso, os custos do financiamento, os gastos necessários para adequações e a economia projetada para o município passaram a gerar questionamentos.
Diante da discussão, o Blog do Badiinho consultou documentos disponíveis no Portal da Transparência da Prefeitura de Catalão. A reportagem também conversou com pessoas que participaram da execução do projeto.
Financiamento supera R$ 46 milhões
A Prefeitura contratou financiamento por meio da linha FINISA, da Caixa Econômica Federal, no valor total de R$ 46,8 milhões. Desse montante, R$ 19.684.687,75 foram destinados à implantação da usina fotovoltaica, o equivalente a 42,06% do contrato. O restante financiou a construção da Estação de Tratamento de Água (ETA).
O contrato prevê pagamento em 96 parcelas mensais. Até agosto de 2026, o município havia quitado 32 parcelas, somando R$ 30.953.156,13 entre amortização e juros das duas obras. Desse total, R$ 13.019.299,43 correspondem à parcela atribuída à usina.
Ainda restam 64 prestações. Considerando os valores levantados pela reportagem, o saldo relacionado à usina chega a R$ 28.330.325,76. Dessa forma, ao somar o que já foi pago ao saldo projetado, o custo financeiro atribuído ao empreendimento alcança R$ 41.349.625,19.
Atualmente, a Prefeitura desembolsa R$ 974.278,72 por mês pelo financiamento que contempla a usina fotovoltaica e a ETA.
Usina ainda não entrou em funcionamento
Apesar da inauguração em dezembro de 2024, a usina ainda não começou a operar. Um dos problemas identificados envolve a rede responsável pela interligação do empreendimento ao sistema da Equatorial.
Segundo informações apuradas pela reportagem, o projeto exigia uma estrutura de 34,5 kV, porém a rede executada inicialmente utilizou 13,8 kV, configuração considerada insuficiente para atender à operação prevista.
Por isso, o município precisou realizar adequações na estrutura. Conforme informações obtidas pelo Blog do Badiinho, essas intervenções custaram cerca de R$ 3 milhões e incluíram a substituição de transformadores.
A empresa responsável pela obra trabalha agora nos ajustes necessários junto à Equatorial para concluir a interligação e permitir o funcionamento da usina.
Economia projetada também gera questionamentos
Outro ponto do debate envolve o benefício financeiro que a geração de energia poderá trazer aos cofres municipais.
Na inauguração, em dezembro de 2024, a administração da época divulgou uma expectativa de economia de aproximadamente R$ 1,2 milhão por mês.
Entretanto, avaliações mais recentes apontam valores consideravelmente menores. Conforme informações levantadas pela reportagem, a economia poderia chegar a cerca de R$ 180 mil mensais, caso os créditos de energia sejam direcionados à SAE. Se utilizados para compensar o consumo da rede municipal de ensino, a estimativa poderia alcançar aproximadamente R$ 290 mil por mês.
Assim, a diferença entre a economia anunciada inicialmente e as projeções atuais se tornou um dos principais pontos de discussão sobre o empreendimento.
Enquanto a usina não entra em operação, permanecem os questionamentos sobre a relação entre o investimento realizado, o custo do financiamento e o retorno efetivo que o projeto poderá proporcionar ao município.
A entrada em funcionamento e os primeiros meses de geração de energia serão fundamentais para medir, na prática, quanto Catalão conseguirá economizar e em quanto tempo o benefício financeiro poderá compensar os custos assumidos pelo município.



