19 de agosto de 2021

O CATALÃO DE ONTEM E DE HOJE, ESPECIAL 162 ANOS; O MORRO DE SÃO JOÃO – MORRO DA SAUDADE

Morro de São João popularmente conhecido como o Morrinho da Saudade na década de 1970.

Localizado ao norte da cidade de Catalão, com uma elevação de 800 mts, também denominado de “Colina dos Poetas ou Morro da Saudade”. É uma elevação de grande importância histórica e sentimental para o povo, que o têm Como ponto de referência.

Conta a tradição oral, que três senhores de mesmo nome João se juntaram e construiu a primeira capela em homenagem a São João Batista no morro no início do século passado. Era uma capelinha simples de telhas comuns, de fachada simples sem torre.

Por volta de 1940 construíram a segunda capela, ou melhor reformaram a primeira, acrescentam lhe uma torre mantendo internamente quase todas as características da capela anterior. Além da torre colocaram também ladrilhos hidráulicos na parte interna.

No morro por muitos anos realizou se a grande festa em louvor a São João Batista com, quermesses, fogueira, fogos, música, novenas, batizados e pagamento de promessas. O morro foi por muito tempo palco das festas religiosas do mês de junho

Além da festa, o Morro de São João foi e aínda é fonte de inspiração para todo artista catalano. Quer ele seja da música, da literatura ou das artes plásticas. Lá em cima muitas poesias e juras de amor firam feitas; músicas foram compostas; e o morro em milhares de telas foi retratado.

Como fonte de inspiração a muitos Poetas, Ricardo Paranhos foi o maior deles, que cantou e nos encantou com seus versos retratando o morrinho. Ele amava tanto o morro que o chamava de ,”Morro da Saudade”. E antes da sua morte pediu que lá fosse sepultado. Esta vontade foi cumprida e lá estão os seus restos mortais ao pé da grande Cruz.

Várias lendas permeiam o Morro de São João, sendo a maís conhecida a lenda da “Louca Morro”., Que até hoje alguns afirmam que a vê no cimo do Morro em noites de maior escuridão.

Morro de São João popularmente conhecido como o Morrinho da Saudade na década de 1940.
“Morro de São João não é lugar, lá é um cenário”… Frase marcante dita pelo escritor Luiz Estevam. Foto: Diego Straiotto/Reprodução.

Fiz o teste certo dia, subi ao Morro de São João , pra buscar inspiração, olha o que aconteceu:


Morro de São João, Chão dos Inocentes

Da colina Verde de manto limpo
Sob a grama desce solitária a imagem da lua.
Nas cruzes gastas pelo tempo,
Deixadas pelos familiares entre lágrimas de saudades
Na colina Santa dos inocentes.

Vela do alto, a colina, a pequena cidade,
Que teima a sua volta se formar
Vela e derrama em seus caminhos a tristeza que alí foi plantada.
Gente, anjos, inocentes….
Almas que povoam e observam a vida da cidade a caminhar.

Tantas cruzes ali fincadas
Tantos marcos, tantas marcas
Em corações deixados.
Quantos leitos ali montados
Quantos sonhos de lares arrancados.
Homens, mulheres, crianças…
Sobem ofertando o que lhes é mais caro.
Ali o deixam, oram e descem chorando
Voltam – se e vêm um novo campo santo se formando.

Passa se o tempo, novos anos vão chegando
Novas mortes, novas cruzes.
Em noites de luar todos têm que o morro defrontar.
Raios da lua, Colina, cruzes
Se juntam em compor
O morro dos inocentes
O morro do pesar.

Vibram os corações
Vibra no morro no mesmo ritmo,
Os muitos corações ali fincados
Muita das vezes ouve-se do alto do morro
Arrancado das velhas cruzes
Choros , gritos, reclamos, lamentos
Incontidos de vários anos,
De seus inúmeros moradores

Chora a vida
Passa – se o tempo
Aumenta se os moradores quietos do morro.
Tempo de fé
Vela a cidade o já Campo Santo do Morro.
De longe vêm- se as cruzes de braços abertos já cansados
De tantos inocentes lembrar.

Documento e redigido
Um terreno é doado
Um santo é protegido.
E o campo santo dos inocentes
Numa manhã de céu carregado , é maculado.
Seus moradores de seus leitos são arrancados.
Uma a uma suas cruzes vão ao chão
Grita e chora os vivos pelos seus que ali estão.

As cruzes são levadas e abandonadas,
E junto vão flores, velas, coroas e oração.
No alto do morro novo chão
Nova forma ter-se -á,
Nova imagem , com cruzes santas
Igreja, oração e altar.
Do alto do morro vai velar por Catalão
Nesse dia é erguida a capela de são João.

Da saudade que se faz o pranto
Dos que ali em cima ficaram
São João aboliu as cruzes de tristeza de seu morro.
Do seu morro de são João
Todas as cruzes foram arrancadas
Mas uma grande foi içada erguendo seus braços
Não de lutas;
Não de lamentos;
Não de interrogações;
Não de desespero…
Mas pra velar por nosso povo
Nossas terras e nossos
Nossa gentil Catalão.

Quanta inspiração no cimo do morro
Tiveram nossos poetas
Quantas musas lá em cima foram desejadas
Quantas Marcos;
Quantas músicas;
Lá no alto foi criada.
Quantos prantos, quantas saudades defronte da capelinha foram chorado !
Quantos amores sob a Luz da Lua, lá no chão do morro, foram jurados.

Morro das saudades de :
Marias
Joãos
Antônios
Anas
E Josés; ….

De branco novamente se veste nossa igrejinha
De branco continuará
A saudar benfazeja a todos que a sua terra voltar.
E abençoar a partida de seus filhos
Que em breve no seu chão não maís estar.
Vão se embora!
Novos lugares vão buscar.
Morro de São João;
Morro da Saudade;
Capelinha de são João;
Vejo que não dormes nunca
Por velar por Catalão.

O artigo foi escrito por José Francisco da Silva, formado em letras pela UFG, hoje UFCAT, natural de Catalão e apaixonado pela sua terra natal. Pesquisador da história de Catalão, contador de histórias e devorador de livros. Professor concursado na rede municipal, foi assessor geral da Fundação Cultural Maria das Dores campos, primeiro diretor do museu histórico municipal Cornélio Ramos, tutor da secretaria municipal de educação, diretor do CMEI Alba Mathias mesquita e atualmente coordenador e responsável pela sala de leitura da escola municipal Nilda Margon Vaz.

José Francisco da Silva – Chiquinho – Professor e Historiador. Foto: Arquivo pessoal/Reprodução.

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Publicado por: Badiinho Filho