A Justiça de Goiás condenou João de Deus e o Centro Espírita Dom Inácio de Loyola ao pagamento de R$ 20 milhões por danos morais coletivos. A decisão envolve abusos sexuais relacionados aos atendimentos espirituais em Abadiânia. No entanto, cabe recurso.
Segundo o Ministério Público de Goiás, mulheres em situação de vulnerabilidade sofriam abusos sob a justificativa de tratamentos espirituais. Além disso, a investigação reuniu centenas de relatos de pessoas do Brasil e do exterior.
O juiz André Luiz Figueiredo Ligório reconheceu que a estrutura do centro contribuiu para a repetição dos abusos. Por isso, determinou que o ex-líder religioso e a instituição respondam conjuntamente pelas reparações.
Além da indenização coletiva, as vítimas poderão buscar reparações individuais mediante comprovação dos abusos e dos danos sofridos. Nesse caso, os valores serão definidos posteriormente.
Para garantir o cumprimento da sentença, a Justiça manteve o bloqueio de uma fazenda em Anápolis, avaliada em cerca de R$ 41 milhões.
Conforme a decisão, a indenização coletiva deverá apoiar ações de prevenção e enfrentamento da violência sexual contra mulheres, com preferência para Abadiânia.
Por sua vez, a defesa de João de Deus informou que pretende recorrer. Segundo os advogados, a sentença desconsidera provas e absolvições obtidas em outros processos.

