O estado de Goiás tem ganhado destaque no cenário nacional e internacional por causa das chamadas “terras raras”, minerais considerados estratégicos para a indústria de tecnologia, energia e mobilidade elétrica. Atualmente, o Brasil possui a segunda maior reserva mundial desses minerais, atrás apenas da China. No entanto, o país ainda explora apenas uma pequena parcela desse potencial.
Hoje, o Brasil concentra cerca de 23% das reservas globais de terras raras, com aproximadamente 21 milhões de toneladas. Apesar disso, a produção brasileira representa menos de 1% da extração mundial. Enquanto isso, a China lidera o setor porque, além de possuir grandes reservas, domina o processamento e a industrialização desses minerais.
As terras raras formam um grupo de 17 elementos químicos utilizados em produtos de alta tecnologia. Entre as principais aplicações estão a fabricação de ímãs permanentes usados em turbinas eólicas, motores de carros elétricos e diversos equipamentos eletrônicos. Além disso, esses minerais também têm papel fundamental no avanço das energias renováveis.
Goiás concentra minerais mais valorizados
Em Goiás, os depósitos chamam atenção por possuírem minerais considerados mais valiosos no mercado internacional, especialmente os chamados “terras raras pesadas”, como térbio e disprózio. Esses elementos aparecem em grande quantidade em minas localizadas no estado. Por isso, Goiás passou a despertar interesse de investidores e empresas do setor mineral.
Outro fator que favorece Goiás é a facilidade de extração. Isso porque os minerais estão misturados à argila e em depósitos rasos, o que reduz custos operacionais e evita escavações profundas. Dessa forma, o processo de mineração se torna mais viável economicamente.
Além da mineradora instalada em Minaçu, no Norte goiano, outras empresas também desenvolvem projetos voltados à exploração de terras raras. Inclusive, um dos empreendimentos está em fase de testes em uma usina instalada na região metropolitana de Goiânia. As amostras utilizadas vêm do município de Nova Roma, no Nordeste goiano, próximo à divisa com o Tocantins. A expectativa é que a operação comercial da mina comece em 2028.
Industrialização ainda é desafio

Especialistas afirmam que o principal desafio do Brasil não está apenas na extração do minério, mas principalmente na industrialização. Atualmente, grande parte da matéria-prima segue para o exterior para ser processada, especialmente para os Estados Unidos e países asiáticos.
Ao mesmo tempo, pesquisadores da Universidade Federal de Catalão (UFCAT) desenvolvem estudos para encontrar novas formas de separação e aproveitamento dos elementos químicos presentes nas terras raras. Segundo especialistas, o país precisa investir em tecnologia e ampliar a cadeia produtiva. Assim, o Brasil poderá agregar mais valor ao minério antes da exportação.
Disputa internacional aumenta interesse pelo Brasil
O crescimento da demanda global por carros elétricos, energia limpa e equipamentos tecnológicos colocou as terras raras no centro de uma disputa geopolítica entre grandes potências. Nesse cenário, a China segue dominando o mercado mundial há décadas.
Por outro lado, os Estados Unidos buscam ampliar investimentos em países como o Brasil para reduzir a dependência chinesa. Dessa maneira, Goiás surge como uma região estratégica devido às reservas minerais e à facilidade de extração.
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