A Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM) de Catalão investiga um líder religioso preso sob suspeita de cometer crimes sexuais contra duas mulheres. Segundo a delegada Yvve Rocha, ele teria usado promessas de cura e bênçãos para induzir as vítimas a práticas sexuais durante rituais.
Em entrevista nesta quinta-feira (8), a delegada explicou que a investigação começou após uma mulher procurar a unidade e relatar os abusos. A partir desse depoimento, os policiais identificaram outra vítima, que também decidiu prestar declarações. Ambas são maiores de idade.
“Nós iniciamos as investigações assim que fomos procurados por uma vítima e ela nos reportou abuso sexual durante prática de ritual”, afirmou Yvi.
Influência religiosa e manipulação
De acordo com a delegada, o investigado apresentava as práticas sexuais como exigências de entidades para que as mulheres alcançassem a solução dos problemas que enfrentavam. Além disso, teria feito ameaças veladas de que a situação delas poderia piorar caso não aceitassem.
Assim, segundo a investigação, o suspeito usava sua influência religiosa para provocar medo e manipular as vítimas. A polícia apura os fatos como possível violação sexual mediante fraude.
O procedimento corre em sigilo para preservar as mulheres. Por isso, a DEAM não divulgou a identidade nem a imagem do investigado. Conforme Yvi, uma eventual divulgação da fotografia dependerá de autorização judicial e poderá ajudar na identificação de outras vítimas e testemunhas.
Polícia analisa materiais apreendidos
Agora, a equipe analisará os materiais digitais apreendidos durante a investigação. O objetivo é localizar possíveis registros de rituais, conversas relacionadas às práticas investigadas e elementos que indiquem outras vítimas.
A delegada também orientou mulheres que tenham vivido situações semelhantes a procurar a DEAM de Catalão. Segundo ela, a unidade oferece atendimento especializado, acolhimento e sigilo.
“O nome dessas vítimas jamais será divulgado pela delegacia da mulher”, ressaltou.
Por fim, Yvve recomendou que mulheres procurem a Polícia Civil ao perceberem práticas que provoquem medo, desconfiança ou constrangimento. As investigações continuam para esclarecer os fatos e apurar a possível existência de outros casos.

