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Lula anuncia plano nacional contra o crime organizado após encontro com Trump

Em Washington, Lula promete ofensiva contra facções e lavagem de dinheiro - Foto: Reprodução

Em coletiva realizada nesta quinta-feira (7), em Washington, nos Estados Unidos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o governo federal lançará, na próxima semana, um novo plano nacional de combate ao crime organizado. O anúncio ocorreu após reunião bilateral com o presidente norte-americano Donald Trump, na Casa Branca.

Segundo Lula, o principal objetivo da iniciativa será enfraquecer financeiramente as facções criminosas e ampliar a cooperação internacional no combate ao tráfico de drogas, armas e à lavagem de dinheiro.

“A partir da semana que vem, vamos lançar um plano de combate ao crime organizado, que é para valer. Nós precisamos destruir o potencial financeiro do crime organizado e das nações”, afirmou o presidente.

Lula diz que facções estão infiltradas em diversos setores

Durante a coletiva, Lula declarou que as organizações criminosas estão presentes em diferentes áreas da sociedade e representam uma ameaça global. Além disso, ele ressaltou que o combate ao crime exige atuação conjunta entre os países.

“Eles estão no futebol, estão na política, estão no meio empresarial, estão em tudo quanto é lugar, inclusive no poder Judiciário”, disse.

Ainda segundo o presidente, Brasil e Estados Unidos podem fortalecer a troca de informações de inteligência para combater o narcotráfico e o crime transnacional.

“O Brasil tem uma experiência extraordinária no combate às drogas e ao tráfico de armas. Também é importante saber que parte das armas que chegam ao Brasil saem dos Estados Unidos”, declarou. “Se a gente colocar a verdade em cima da mesa e criar um grupo de trabalho, podemos resolver em décadas aquilo que não resolvemos em séculos.”

Relações comerciais e investimentos também entraram na pauta

Além da segurança pública, o encontro entre Lula e Trump abordou temas como comércio bilateral, minerais críticos, transição energética, Venezuela, Cuba, reforma da ONU e investimentos internacionais.

De acordo com Lula, o governo brasileiro busca ampliar a presença de investimentos norte-americanos no país. Ao mesmo tempo, o presidente reforçou que o Brasil manterá sua autonomia diplomática e econômica.

“Nós temos muito interesse que os Estados Unidos voltem a investir no Brasil”, afirmou. “O Brasil está preparado para discutir com qualquer país do mundo qualquer assunto. A única coisa da qual não abrimos mão é da nossa democracia e da nossa soberania.”

Governo defende parcerias internacionais para minerais críticos

Ao comentar a disputa global pelos chamados minerais críticos e terras raras, Lula destacou a aprovação do projeto que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. Conforme o presidente, o tema passou a ser tratado como questão de soberania nacional.

Além disso, ele afirmou que o Brasil pretende manter parcerias abertas com diferentes países e empresas internacionais.

“Nós queremos compartilhar com empresas americanas, chinesas, alemãs, japonesas e francesas os investimentos no Brasil. Não temos preferência. O que queremos é parceria”, declarou.

Lula defende multilateralismo e aproximação com os EUA

Durante a entrevista, Lula também voltou a defender o multilateralismo e criticou medidas econômicas unilaterais adotadas no cenário internacional. Segundo ele, os Estados Unidos precisam retomar o interesse estratégico pela América Latina.

“Os Estados Unidos já foram o maior parceiro comercial do Brasil. Hoje a China ocupa esse espaço. É importante que os americanos voltem a olhar para o Brasil e para a América Latina”, afirmou.

Por fim, em tom descontraído, o presidente contou que brincou com Trump sobre a Copa do Mundo.

“Eu falei para ele: espero que você não anule o visto dos jogadores brasileiros, porque nós vamos vir aqui para ganhar a Copa do Mundo”, disse, arrancando risos da imprensa.

A reunião entre Lula e Trump acontece em meio a uma tentativa de reaproximação diplomática entre Brasil e Estados Unidos, após meses de tensões comerciais e divergências políticas. Segundo o governo brasileiro, novos encontros técnicos entre representantes dos dois países devem ocorrer nos próximos 30 dias.

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