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Mudança no PSD: Kassab cobra “desprendimento” e expõe desgaste de Vanderlan Cardoso

A entrevista do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, ao jornalista Caio Salgado, da coluna Giro, do Jornal O Popular,  trouxe à tona uma crise que já vinha sendo tratada nos bastidores: a perda de protagonismo do senador Vanderlan Cardoso no comando do partido em Goiás, e claro, no cenário político como um todo. Ao defender “desprendimento” político e confirmar a reestruturação da sigla no estado, Kassab deixou claro que a chegada do governador Ronaldo Caiado ao PSD muda completamente o eixo de poder da legenda.

Na prática, a fala de Kassab expõe o enfraquecimento de Vanderlan dentro do partido que hoje preside em Goiás. O dirigente nacional foi direto ao afirmar que não faz sentido o PSD não se reorganizar para abrir espaço a um governador com peso político nacional e potencial candidatura à Presidência da República. A mensagem, ainda que diplomática no discurso, é dura no conteúdo: o comando atual se tornou incompatível com a nova realidade do partido.

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Um histórico marcado por trocas de legenda

Marina, o então governador de Pernambuco, Eduardo Campos (ao centro) e Vanderlan Cardoso, que teve candidatura ao governo oficializada no PSB em junho de 2014, partido de Geraldo Alckmin, vice do presidente Lula. Foto: Sílvio Túlio/G1

A cobrança por “desprendimento” ganha contornos ainda mais sensíveis quando se observa a trajetória política de Vanderlan Cardoso. Desde que ingressou na vida pública, o senador construiu sua carreira passando por diversas legendas, sempre acompanhando mudanças de cenário eleitoral e alianças estratégicas.

Vanderlan já esteve filiado a partidos de diferentes campos ideológicos, transitando entre partidos alinhados com a esquerda, como PSB do vice-presidente Geraldo Alckmin, além siglas de centro, centro-direita e legendas de perfil pragmático. Ao longo dos anos, acumulou mudanças que, para críticos, revelam mais adaptação a conjunturas favoráveis do que fidelidade partidária. Esse histórico fragiliza o discurso de permanência e controle absoluto do PSD goiano em um momento de reconfiguração nacional.

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Nos bastidores, a avaliação é de que o senador, acostumado a reposicionar-se conforme o vento político, agora se vê pressionado a exercer exatamente aquilo que tantas vezes cobrou de adversários: abrir espaço e recuar.

Caiado chega, Vanderlan perde centralidade

Caiado e Kassab acertaram filiação do governador ao PSD nesta terça-feira com candidatura à presidência na mesa. Foto: Reprodução

A filiação de Caiado ao PSD não é apenas simbólica. Kassab deixou claro que o governador precisa ter espaço real dentro da estrutura partidária, inclusive na direção estadual. Embora evite afirmar publicamente que Caiado assumirá a presidência do PSD em Goiás, o dirigente nacional reconhece que seria incoerente mantê-lo fora das decisões estratégicas.

Esse novo desenho também afeta diretamente a disputa pelo Senado em 2026. Enquanto Vanderlan tenta sustentar sua pré-candidatura à reeleição, Caiado já sinalizou apoio a outros nomes, como a primeira-dama Gracinha Caiado e o deputado federal Gustavo Gayer. Isso escancara o isolamento político do senador dentro da própria sigla.

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Um discurso que cobra o que não praticou

Desde o início de sua carreira política, em 2005, quando se elegeu prefeito de Senador Canedo, Vanderlan passou por vários partidos, como PL, PR, PP, MDB, PSB e PSD, sendo visto como um político que perdeu a confiança dos grandes líderes, ao ser visto por fazer política pessoal e não de grupo. Foto: Divulgação

Ao afirmar que espera “desprendimento” de Vanderlan, Kassab expõe uma contradição difícil de ignorar. O senador, que construiu sua trajetória mudando de partido conforme as conveniências eleitorais, agora resiste a uma reacomodação que não lhe é favorável.

A reestruturação no PSD goiano, portanto, vai além de uma simples troca de comando. Ela revela o desgaste de um projeto político personalista, sustentado por alianças circunstanciais, e que agora esbarra no peso de um governador no auge de sua força política.

Se no passado Vanderlan soube ler o tabuleiro no que lhe era conveniente nas mudanças de posições para sua sobrevivencia política, o momento atual cobra dele a mesma habilidade — desta vez, não para avançar, mas para sair de cena.

Badiinho Moisés
Badiinho Moisés
Blogueiro há 15 anos, proprietário da empresa Badiinho Publicidades, e também repórter de rádio e televisão na emissora Cultura FM 101,1, em Catalão-GO.

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