Caminhoneiros de diferentes regiões do país ameaçam paralisar as atividades nos próximos dias devido à alta do diesel, influenciada pelo conflito no Oriente Médio. Diante disso, o governo federal já se mobiliza para evitar uma nova crise semelhante à de 2018.
Segundo Wallace Landim, presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), a categoria está mais organizada do que no passado. Além disso, ele afirma que o cenário atual é motivado por questões econômicas. “Estamos muito mais organizados do que em 2018”, destacou.
Desde o fim de fevereiro, o preço do diesel S-10 subiu 19,4% no país, conforme levantamento da ValeCard. No entanto, mesmo com medidas anunciadas pelo governo, a Petrobras elevou o valor do combustível nas refinarias, o que aumentou ainda mais a pressão sobre os caminhoneiros.
Governo tenta conter tensão
Diante da ameaça de paralisação, o governo intensificou as ações. Pela manhã, anunciou reforço na fiscalização do piso mínimo do frete. Além disso, propôs a desoneração do ICMS sobre a importação de diesel, com compensação parcial aos estados.
Ainda assim, lideranças da categoria avaliam que as medidas são insuficientes. Enquanto isso, o governo busca evitar impactos econômicos e políticos, especialmente em um cenário sensível.
Categoria reclama de prejuízos
De acordo com Landim, o aumento do combustível inviabiliza a atividade. “Hoje, a categoria está pagando para trabalhar”, afirmou.
Além do alto custo do diesel, os caminhoneiros denunciam o descumprimento do piso do frete. Por outro lado, também cobram mais fiscalização sobre os preços nos postos.
Entre as principais reivindicações estão:
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Cumprimento do piso mínimo do frete
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Redução do preço do diesel
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Isenção de pedágio para caminhões vazios
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Fiscalização mais rigorosa do setor
Além disso, representantes defendem mudanças estruturais no mercado de combustíveis.
Risco de impacto na economia
Especialistas alertam que o risco de greve é real. Segundo o economista Sergio Vale, o cenário atual lembra 2018, embora ainda não haja confirmação de uma paralisação em grande escala.
Além disso, os caminhoneiros enfrentam aumento de custos, desaceleração da economia e queda na safra, o que agrava o cenário.
Em 2018, por exemplo, a greve provocou desabastecimento e prejuízos bilionários, além de reduzir o crescimento do PIB. Agora, apesar das limitações fiscais do governo, uma paralisação parcial nos próximos dias não está descartada.
Com informações da BBC News Brasil

