A frente fria que atingiu o Centro-Sul de Goiás na última sexta-feira provocou uma mudança brusca no tempo. O sistema derrubou as temperaturas, trouxe ventos fortes e registrou pancadas isoladas de chuva. No entanto, o alívio durou pouco. Segundo o climatologista e coordenador do Laboratório de Climatologia da Universidade Federal de Catalão (UFCAT), Rafael de Ávila, o calor voltará a ganhar força nos próximos dias por causa da atuação do El Niño.
Conforme o especialista, a frente fria reduziu a temperatura em cerca de 14°C em aproximadamente cinco horas. Além disso, provocou rajadas de vento próximas de 50 km/h e chuvas irregulares. Em Ouvidor, por exemplo, o acumulado foi de apenas dois milímetros.
Agora, a previsão indica uma forte onda de calor. As temperaturas máximas devem subir ao longo da semana. Ao mesmo tempo, a umidade relativa do ar ficará cada vez mais baixa.
Além disso, Rafael de Ávila destacou que as mudanças climáticas tornam os eventos extremos mais frequentes. Tempestades, ventos intensos e queda de granizo passaram a ocorrer com maior intensidade. Segundo ele, a mesma frente fria provocou estragos em cidades como Ribeirão Preto (SP) e Uberlândia (MG), onde houve tempestades severas e ventos fortes.
Agricultura pode sentir os efeitos
O climatologista lembrou que a NOAA confirmou a atuação do El Niño em junho deste ano. Desde então, os primeiros reflexos já aparecem na região, com ondas de calor mais intensas, redução da umidade do ar e irregularidade na distribuição das chuvas.
Segundo Rafael de Ávila, esse cenário preocupa principalmente os produtores rurais. As altas temperaturas podem comprometer o desenvolvimento das lavouras. Além disso, a irregularidade das chuvas tende a atrasar o início da semeadura prevista para setembro e outubro.
População deve redobrar os cuidados
O especialista orienta a população a acompanhar os boletins meteorológicos. Também recomenda aumentar a ingestão de água e evitar exposição prolongada ao sol durante os períodos mais quentes do dia.
Por fim, Rafael de Ávila informou que o Laboratório de Climatologia da UFCAT monitora diariamente as condições do tempo. O grupo também oferece apoio técnico e parcerias para produtores rurais e demais interessados.

