A Polícia Civil de Goiás, por meio da Delegacia de Polícia de Goiandira, vinculada à 9ª Delegacia Regional de Polícia (DRP), concluiu uma investigação sobre um esquema de desvio de combustíveis utilizado no caminhão responsável pela coleta de lixo do município. O caso ocorreu entre dezembro de 2018 e maio de 2021.
Após aproximadamente dois anos de investigação, a equipe reuniu elementos que apontam a autoria, a dinâmica do esquema e a quantidade de óleo diesel que teria sido desviada. Os investigadores também estimaram o prejuízo causado aos cofres públicos com base nos registros de abastecimento da Prefeitura.
Como funcionava o esquema
Segundo a Polícia Civil, o motorista do caminhão de lixo e um dos garis costumavam seguir sozinhos para o ponto final após concluir a coleta de resíduos na cidade. Eles não permitiam que outros garis ou servidores municipais os acompanhassem no trajeto.
No local, a dupla retirava o combustível que ainda permanecia no tanque do caminhão. Em seguida, devolvia o veículo à Prefeitura praticamente sem óleo diesel.
Na data da próxima coleta, o setor responsável abastecia novamente o caminhão com o tanque cheio. Após o serviço, o motorista e o gari repetiam o procedimento e retiravam o combustível restante antes de devolver o veículo.
Investigação aponta desvio de 26,4 mil litros
A Polícia Civil utilizou os registros de abastecimento do caminhão para calcular a quantidade de combustível retirada durante o período investigado. De acordo com o levantamento, o esquema teria provocado o desvio de aproximadamente 26.400 litros de óleo diesel.
Após identificar a dinâmica da retirada, os investigadores também buscaram descobrir o destino do combustível.
Empresário comprava combustível por metade do valor
Conforme a investigação, os envolvidos armazenavam o óleo diesel retirado do caminhão em diversos galões. Posteriormente, eles revendiam o combustível a um empresário de Goiandira.
Segundo a Polícia Civil, o empresário comprava o diesel por aproximadamente metade do valor de mercado e utilizava o produto em veículos próprios e em veículos da empresa.
Três pessoas foram indiciadas
Ao final do inquérito, a Polícia Civil indiciou três pessoas pelos crimes de peculato e associação criminosa, previstos nos artigos 312 e 288 do Código Penal.
Entre os indiciados estão o motorista do caminhão de lixo, de 57 anos, um gari, de 56 anos, e um empresário de Goiandira, de 51 anos. Segundo a Polícia Civil, nenhum deles possui antecedentes criminais.
A investigação apontou que os dois servidores públicos participavam da retirada do combustível, enquanto o empresário adquiria o diesel posteriormente.

