A proposta de renovação antecipada da concessão da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), operada pela VLI, acendeu um alerta entre lideranças políticas e econômicas do Sudeste Goiano. A preocupação surgiu após o Governo Federal confirmar a devolução de mais de 3 mil quilômetros de trilhos à União.
Atualmente, a FCA possui mais de 7 mil quilômetros de extensão. Porém, com a renovação, a malha deverá cair para pouco mais de 4 mil quilômetros.
O economista Júlio Paschoal criticou a proposta e afirmou que o país pode sofrer um retrocesso logístico. Segundo ele, a ferrovia foi essencial para o crescimento de municípios como Catalão, Goiandira, Pires do Rio, Orizona, Silvânia e Anápolis.
“Estamos vendo um tiro no pé. Em vez de ampliar e modernizar a malha ferroviária, o país discute sua redução”, afirmou.
Além disso, Júlio Paschoal criticou a falta de debates mais amplos sobre o tema. Para ele, os representantes políticos da região precisam participar mais da discussão.
O economista também alertou para o aumento da dependência do transporte rodoviário. Segundo ele, isso pode ampliar os custos logísticos e aumentar os impactos de crises internacionais.
Ex-prefeito de Goiandira faz alerta

O ex-prefeito de Goiandira, Erick Marcus, também demonstrou preocupação com o futuro da ferrovia. Segundo ele, existe risco de desativação do trecho entre Roncador (GO) e Brasília (DF).
Erick destacou que a chegada da ferrovia foi fundamental para o desenvolvimento econômico de várias cidades do Sudeste Goiano.
“No primeiro capítulo da minha tese de doutorado eu abordo justamente a importância da ferrovia para o desenvolvimento da nossa região”, afirmou.
Segundo Erick Marcus, a linha ferroviária atual conecta Brasília ao Porto de Santos. Além disso, ela também possui ligação com a Ferrovia Norte-Sul e com o Porto de Itaqui, no Maranhão.
Durante conversa com o jornalista Abadio Moisés Filho, do Blog do Badiinho, Erick explicou que Catalão e Goiandira não devem perder seus trechos ferroviários.
Por outro lado, ele afirmou que os investimentos em melhorias estruturais estão abaixo do necessário há vários anos.
Segundo Erick Marcus, a capacidade da malha ferroviária já não atende toda a demanda da região.
“Hoje apenas uma parte do fosfato segue pela ferrovia porque a estrutura não suporta toda a demanda. O restante do fosfato e o nióbio seguem para o Porto de Santos por caminhões”, afirmou.
Governo negocia renovação bilionária
Conforme matéria publicada pela Folhapress, o Ministério dos Transportes negocia a renovação antecipada da concessão da FCA com a VLI.
A proposta prevê investimentos de R$ 27,6 bilhões nos próximos 30 anos.
Hoje, a FCA opera 7.220 quilômetros de linhas ferroviárias em estados como Goiás, Minas Gerais, Bahia, São Paulo, Espírito Santo, Sergipe, Rio de Janeiro e Distrito Federal.
Entretanto, a nova modelagem prevê a devolução de 3.110 quilômetros de trilhos considerados inativos ou sem viabilidade econômica.
Entre os trechos que sairão da concessão está a linha entre Roncador (GO) e Brasília (DF).
Mesmo assim, o Governo Federal afirma que os recursos serão usados na recuperação estrutural da malha ferroviária e na modernização dos trilhos.
Além disso, a proposta inclui investimentos em obras para reduzir conflitos urbanos em 46 municípios. O novo contrato também prevê espaço para operação futura de trens de passageiros em alguns trechos da malha ferroviária.



