O ataque de um grupo de macacos a um casal que caminhava pela região da Represa do Clube do Povo, em Catalão (GO), chamou a atenção para os cuidados necessários no contato com animais silvestres. As vítimas sofreram mordidas e procuraram atendimento médico, o que também levantou um alerta para o risco de transmissão da raiva.
A coordenadora do Núcleo de Vigilância Epidemiológica de Catalão, Graciele Torres, orienta que qualquer pessoa que sofra uma mordida, arranhadura ou outro tipo de agressão provocada por animal silvestre lave imediatamente o ferimento com bastante água e sabão e procure atendimento médico.
Em Catalão, a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) funciona como principal referência para esses casos. A Secretaria Municipal de Saúde mantém vacinas antirrábicas na UPA e no PAI. Para dar continuidade ao tratamento, o paciente pode procurar a Unidade de Saúde Divano Elias, no Setor Universitário.
Ferimentos, mesmo pequenos, precisam de avaliação
Graciele alerta que a população não deve ignorar lesões pequenas após o contato com animais. O paciente precisa passar por avaliação médica, pois o profissional considera fatores como o local e a extensão do ferimento e o tipo de animal envolvido antes de definir a conduta.
Os profissionais classificam os acidentes como leves, moderados ou graves. A partir dessa avaliação, o médico decide se o paciente precisa de vacina, soro ou outras medidas de prevenção.
A orientação é procurar atendimento o mais rápido possível. A UPA funciona 24 horas e recebe os pacientes que precisam iniciar o atendimento nesses casos.
Graciele também reforça que ninguém deve esperar o surgimento de sintomas. A raiva é uma doença grave e, depois do início dos sintomas, o tratamento apresenta grandes dificuldades.
Segundo as informações da Vigilância Epidemiológica, o Brasil não registra casos de raiva humana desde 2015. No entanto, o vírus continua circulando entre animais, mantendo o risco de transmissão para seres humanos.
Macacos podem transmitir raiva?
Os primatas podem transmitir raiva por meio de agressões, como mordidas e arranhaduras. A febre amarela, por outro lado, possui outra forma de transmissão e não passa para uma pessoa simplesmente por meio de uma mordida ou arranhadura de macaco.
Os primatas participam do ciclo da febre amarela como hospedeiros do vírus. Mosquitos infectados transmitem a doença. Por isso, a população deve comunicar aos órgãos responsáveis a presença de macacos doentes ou mortos e evitar qualquer tentativa de capturar ou manipular os animais.
Catalão registra 45 acidentes envolvendo risco de raiva
A Vigilância Epidemiológica registrou 45 acidentes envolvendo risco de transmissão da raiva em Catalão somente neste mês.
Do total, dois casos envolveram animais silvestres: um porco e um morcego. Os cães também aparecem entre os principais responsáveis pelas ocorrências e representam 33% dos registros. Além disso, o município contabilizou 10 acidentes envolvendo gatos.
A orientação é evitar qualquer contato, tentativa de captura ou aproximação de animais silvestres, principalmente quando eles apresentarem comportamento incomum.
Contato de animal com ferimento também exige atenção
A mordida não representa a única forma de exposição ao vírus da raiva. Graciele explica que uma pessoa com uma ferida aberta também pode entrar em contato com secreções de um animal, como ocorre quando o animal lambe o local.
Nessas situações, o paciente também precisa procurar atendimento médico para avaliação.
Quando o animal agressor permite observação, as equipes de saúde analisam a possibilidade de acompanhar o animal. No caso de animais silvestres, como macacos, o médico pode indicar vacina e, conforme as características e a gravidade da lesão, o soro antirrábico.
UPA concentra soros para acidentes com animais peçonhentos
A UPA também funciona como referência em Catalão para acidentes envolvendo animais peçonhentos, como cobras e escorpiões.
Nessas situações, a população deve procurar atendimento imediatamente. Alguns acidentes podem exigir a aplicação rápida do soro específico, e o início do tratamento não deve esperar.
A recomendação das autoridades de saúde é não tentar capturar animais envolvidos em acidentes. Em caso de mordida, arranhadura ou contato de secreções com ferimentos, a pessoa deve lavar o local com água e sabão e procurar atendimento médico o quanto antes.

