Ex-prefeito, que comandou o município por quatro mandatos, usou expressão considerada ofensiva durante ato de campanha; Prefeitura reagiu com nota de repúdio em defesa da instituição e dos servidores
O rompimento político entre Adib Elias e Velomar Rios atingiu um novo patamar nesta semana. Desta vez, porém, Adib elevou o tom de maneira que ultrapassou a crítica política ao antigo aliado e atingiu a própria Prefeitura de Catalão, instituição que ele comandou por vários mandatos.
Durante evento realizado na tarde de quinta-feira (10), em seu comitê político, próximo à Prefeitura, Adib afirmou: “Quando um porco senta no trono, ele não vira rei. É mais fácil o palácio virar chiqueiro.” A declaração aparece na gravação e na transcrição encaminhada ao Blog do Badiinho.
Adib não pronunciou o nome de Velomar Rios nesse momento. No entanto, o contexto político e o restante do discurso indicam uma crítica aos antigos aliados. Pouco antes da frase, o candidato falou em “veneno”, “ingratidão” e “traição”, além de dizer que seus adversários teriam cometido um erro ao partir para a “guerra”.
A escolha das palavras chama atenção principalmente porque parte de alguém que ocupou o cargo de prefeito e conhece o peso institucional da administração municipal. Uma disputa eleitoral permite críticas duras, cobranças e divergências. Entretanto, comparar o ambiente da Prefeitura a um “chiqueiro” amplia o ataque para além da figura do atual prefeito e abre espaço para que servidores municipais também se sintam atingidos. Assista o vídeo:
Prefeitura reage e sai em defesa dos servidores
A repercussão levou a Prefeitura de Catalão a divulgar, nesta sexta-feira (11), uma nota de repúdio. A administração municipal afirmou repudiar as declarações do ex-prefeito e destacou que divergências políticas não justificam manifestações que desrespeitem a instituição e as pessoas que trabalham nela.
A nota reconhece as contribuições de Adib para o desenvolvimento de Catalão, mas faz uma ressalva importante: o legado administrativo do ex-prefeito não o coloca acima de críticas quando suas declarações atingem a instituição pública.
A Prefeitura também reforçou que “é a casa de todos os catalanos” e manifestou solidariedade aos servidores e colaboradores municipais.
O posicionamento ainda lembra que Velomar Rios não disputa cargo nesta eleição. Dessa forma, a administração procurou separar a campanha eleitoral de Adib do funcionamento da máquina pública.
Adib e Velomar: de aliados a adversários
O episódio é mais um reflexo de um rompimento que modificou profundamente o cenário político de Catalão. Durante décadas, Adib Elias e Velomar Rios estiveram no mesmo grupo. Velomar foi um dos principais aliados do ex-prefeito e chegou novamente ao comando do município em 2025 com apoio político de Adib.
A relação, entretanto, deteriorou-se com as articulações para 2026. Adib decidiu disputar uma cadeira de deputado estadual, enquanto Velomar manteve o apoio à reeleição de Jamil Calife.
A partir daí, as divergências deixaram os bastidores. Mudanças administrativas reduziram a presença de pessoas politicamente ligadas ao ex-prefeito dentro da gestão. Posteriormente, acusações de lado a lado tornaram público um rompimento que já parecia irreversível.
Agora, Adib demonstra que pretende fazer desse conflito um componente importante de sua campanha, mas com foco em 2028. No próprio discurso de quinta-feira, afirmou acreditar que seu grupo vencerá novamente a eleição em Catalão e em Goiás.
Crítica política tem limite institucional
Adib Elias construiu parte significativa de sua trajetória apresentando as realizações de suas administrações em Catalão. Por isso, causa ainda mais repercussão vê-lo recorrer à imagem de um “chiqueiro” justamente para atacar o ambiente político da instituição que comandou.
O ex-prefeito tem legitimidade para questionar Velomar, criticar decisões administrativas e disputar politicamente o eleitorado. Mas o direito à crítica não elimina a responsabilidade pelas palavras, principalmente quando elas partem de uma liderança experiente e candidata a um cargo público.
O episódio também revela como uma antiga aliança se transformou rapidamente em confronto. Se antes Adib e Velomar dividiam palanques, projetos e discursos, agora estão em lados opostos de uma disputa cada vez mais agressiva.
Ao recorrer a uma comparação com “porco” e “chiqueiro”, Adib endureceu o discurso, mas também assumiu o risco político de transformar uma divergência entre lideranças em uma declaração interpretada como desrespeitosa à Prefeitura e aos seus trabalhadores.
No fim, a disputa eleitoral decidirá quem possui maior força nas urnas. Até lá, porém, o eleitor também terá condições de avaliar não apenas os apoios e propostas dos candidatos, mas a forma como cada liderança escolhe fazer política em Catalão.

