A previsão de intensificação do El Niño aumenta a atenção para os efeitos do clima na safra 2026/27 de soja e milho. Alterações na distribuição das chuvas e temperaturas elevadas podem ampliar o risco de estresse hídrico, embora os impactos variem conforme a região.
A falta de água pode comprometer diferentes etapas das lavouras, desde o desenvolvimento inicial até o enchimento dos grãos. Por isso, o planejamento e o manejo preventivo ganham importância para reduzir possíveis perdas.
Falta de água afeta o desenvolvimento das culturas
De acordo com Julia Veiga, engenheira agrônoma e coordenadora de portfólio da Biotrop, o déficit hídrico prejudica o desenvolvimento das raízes da soja. Dessa forma, limita a capacidade da planta de absorver água e nutrientes.
Já na fase reprodutiva, a seca pode provocar abortamento de flores e vagens, além de reduzir a quantidade e o peso dos grãos. No milho, a escassez de água também afeta a formação das espigas, a polinização e o enchimento dos grãos.
Além disso, a estiagem altera o funcionamento das plantas. Para evitar a perda de água, elas reduzem a abertura dos estômatos. Como consequência, a fotossíntese diminui e o crescimento desacelera, explica a agrônoma.
Manejo preventivo ajuda a reduzir os impactos
Diante desses riscos, a especialista destaca a escolha de cultivares adaptadas e a adoção de boas práticas agrícolas. Segundo ela, os bioinsumos também podem integrar o manejo para ampliar a capacidade das plantas de enfrentar períodos de estiagem.
Entre as tecnologias citadas está um ativador microbiológico desenvolvido pela Biotrop. Conforme a empresa, o produto estimula o crescimento das raízes e melhora a eficiência no uso da água.
A aplicação pode ocorrer no tratamento de sementes ou no sulco de plantio. Assim, a proposta é atuar desde os primeiros estágios de desenvolvimento da lavoura.
Empresa apresenta resultados de ensaios
A Biotrop informa que ensaios conduzidos por consultorias, instituições de pesquisa e parceiros registraram respostas positivas em mais de 86% das avaliações. No milho, a companhia relata incremento médio de seis sacas por hectare nos testes citados.
Para Julia Veiga, essas ferramentas devem compor uma estratégia integrada de manejo. O objetivo é reduzir os impactos da irregularidade das chuvas e preservar o potencial produtivo das lavouras.





