O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), entrou no centro de uma nova crise após a divulgação de informações encontradas pela Polícia Federal no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O material aponta contatos entre os dois, encontros e conversas ocorridas durante o período em que o banco enfrentava investigações.
As informações vieram a público nesta terça-feira (1º), depois que o ministro André Mendonça, relator das investigações relacionadas ao Banco Master no STF, retirou o sigilo de parte do material. Mendonça também defendeu que o plenário da Corte analise os novos elementos.
Mensagens revelam proximidade entre Moraes e Vorcaro
Segundo relatório da Polícia Federal, mensagens encontradas no celular de Vorcaro indicam que ele e Moraes teriam se encontrado pelo menos seis vezes. Os registros apontam reuniões desde 2024 e sugerem uma relação mais próxima do que se conhecia publicamente.
Um dos pontos que mais chamou atenção envolve uma mensagem enviada pouco antes da prisão do ex-banqueiro. Segundo as informações divulgadas, Vorcaro perguntou a Moraes se deveria estar fora do país. A mensagem teria sido enviada dois dias antes de o empresário ser preso no Aeroporto Internacional de Guarulhos quando tentava embarcar para Dubai.
Além disso, o relatório contém uma mensagem na qual Vorcaro fala sobre a necessidade de reforçar uma atuação junto a pessoas identificadas como “Andrei” e “Paulo”. A PF avalia que os nomes podem fazer referência ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Até o momento, contudo, a divulgação das mensagens não significa que Moraes tenha cometido crime. Os fatos e o contexto dos contatos ainda precisam passar por análise das autoridades competentes.
Contrato com escritório da esposa de Moraes entra no caso
Outro ponto que aumentou a repercussão envolve o contrato firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia comandado por Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.
O contrato previa cerca de R$ 131 milhões em honorários ao longo de três anos. Segundo informações da investigação, Moraes teve acesso à minuta do documento antes da assinatura.
Em nota, o escritório explicou que seu setor de compliance consultou Moraes para saber se existia algum impedimento legal para assumir o Banco Master como cliente.
A banca sustenta que não havia impedimento porque o contrato não previa atuação perante o STF e Moraes não havia julgado causas envolvendo o banco. Segundo o escritório, os serviços jurídicos foram efetivamente prestados.
PGR questiona investigação
O caso também abriu uma disputa dentro das próprias instituições. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu a nulidade da investigação que aprofundou a análise das conversas envolvendo Moraes.
Para Gonet, André Mendonça não poderia ter determinado esse aprofundamento sem autorização do plenário do Supremo. Portanto, além do conteúdo das mensagens, o STF deverá enfrentar uma discussão sobre a validade jurídica da forma como as informações foram obtidas e analisadas.
Pedido de impeachment chega ao Senado
A repercussão rapidamente chegou ao Congresso Nacional. O senador Carlos Viana (PSD-MG) anunciou nesta terça-feira (1º) a apresentação de um pedido de impeachment contra Alexandre de Moraes. Outros senadores também fizeram pronunciamentos sobre o episódio no plenário.
Enquanto isso, o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) afirmou acompanhar a situação com “extrema preocupação” e defendeu uma apuração rigorosa e isenta dos fatos, com respeito ao devido processo legal, à ampla defesa e à presunção de inocência.
O episódio abre, assim, mais um capítulo da crise envolvendo o Banco Master. Agora, a atenção se volta ao STF, à Procuradoria-Geral da República e ao Senado para saber quais serão os próximos passos diante das informações reveladas pela Polícia Federal.





