O médico pediatra Gilson Fayad fez um alerta sobre o rumo da medicina atual e fez um alerta direto: muitos profissionais deixaram de priorizar o contato com o paciente. Segundo ele, o uso excessivo de exames tem substituído a escuta e o exame clínico.
De acordo com Gilson Fayad, o médico consegue identificar cerca de 80% dos diagnósticos ao ouvir a história do paciente. Mesmo assim, muitos profissionais recorrem primeiro aos exames. Além disso, esses resultados nem sempre refletem a realidade, o que pode levar a erros de diagnóstico.
Medicina mais técnica e menos próxima

No passado, os médicos adotavam uma formação mais ampla e prática. Eles examinavam, tocavam e observavam cada detalhe do paciente. Hoje, por outro lado, muitos profissionais dependem quase exclusivamente de exames.
Por isso, Gilson Fayad defende uma mudança de postura. O médico precisa retomar o contato direto com o paciente e valorizar o exame clínico. Ao mesmo tempo, ele reconhece os avanços tecnológicos, como a telemedicina. No entanto, ele reforça que o profissional deve usar essas ferramentas com equilíbrio.
Relação médico-paciente perdeu força
Antigamente, as famílias mantinham um médico de referência. Esse profissional acompanhava o paciente ao longo dos anos e conhecia seu histórico. Dessa forma, ele conseguia tomar decisões mais precisas.
Hoje, entretanto, o paciente consulta vários médicos. Como consequência, o atendimento perde continuidade e qualidade. Fayad destaca que a confiança entre médico e paciente melhora o diagnóstico e o tratamento.
Crescimento de cursos preocupa especialista
Fayad também criticou a expansão acelerada dos cursos de medicina no Brasil. Segundo ele, o país aumentou o número de vagas sem garantir estrutura adequada.
Para o pediatra, o problema não está apenas na quantidade de profissionais, mas na formação. Faculdades sem estrutura dificultam o aprendizado prático. Além disso, muitos recém-formados entram no mercado inseguros e sem experiência suficiente.
Aplicativo aproxima pais e pediatras

Para enfrentar parte desses desafios, Fayad criou o aplicativo “PedComVc”. A ferramenta conecta pais diretamente ao pediatra da criança, o que facilita o acompanhamento.
Com esse modelo, o médico orienta a família à distância e evita deslocamentos desnecessários. Segundo Fayad, cerca de 85% dos atendimentos em pronto-socorro envolvem casos simples, que não exigem presença física.
Além disso, o aplicativo reduz filas, evita exames desnecessários e diminui custos para o sistema de saúde. Dessa maneira, o atendimento se torna mais ágil e eficiente.
Tecnologia deve apoiar, não substituir
Por fim, Fayad reforçou que a tecnologia não substitui o médico. Embora sistemas e inteligência artificial ajudem no diagnóstico, eles não oferecem empatia.
“O médico olha no olho, acolhe e entende o paciente. Nenhuma máquina faz isso”, destacou.


