A entrevista do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, ao jornalista Caio Salgado, da coluna Giro, do Jornal O Popular, trouxe à tona uma crise que já vinha sendo tratada nos bastidores: a perda de protagonismo do senador Vanderlan Cardoso no comando do partido em Goiás, e claro, no cenário político como um todo. Ao defender “desprendimento” político e confirmar a reestruturação da sigla no estado, Kassab deixou claro que a chegada do governador Ronaldo Caiado ao PSD muda completamente o eixo de poder da legenda.
Na prática, a fala de Kassab expõe o enfraquecimento de Vanderlan dentro do partido que hoje preside em Goiás. O dirigente nacional foi direto ao afirmar que não faz sentido o PSD não se reorganizar para abrir espaço a um governador com peso político nacional e potencial candidatura à Presidência da República. A mensagem, ainda que diplomática no discurso, é dura no conteúdo: o comando atual se tornou incompatível com a nova realidade do partido.
Um histórico marcado por trocas de legenda

A cobrança por “desprendimento” ganha contornos ainda mais sensíveis quando se observa a trajetória política de Vanderlan Cardoso. Desde que ingressou na vida pública, o senador construiu sua carreira passando por diversas legendas, sempre acompanhando mudanças de cenário eleitoral e alianças estratégicas.
Vanderlan já esteve filiado a partidos de diferentes campos ideológicos, transitando entre partidos alinhados com a esquerda, como PSB do vice-presidente Geraldo Alckmin, além siglas de centro, centro-direita e legendas de perfil pragmático. Ao longo dos anos, acumulou mudanças que, para críticos, revelam mais adaptação a conjunturas favoráveis do que fidelidade partidária. Esse histórico fragiliza o discurso de permanência e controle absoluto do PSD goiano em um momento de reconfiguração nacional.
Nos bastidores, a avaliação é de que o senador, acostumado a reposicionar-se conforme o vento político, agora se vê pressionado a exercer exatamente aquilo que tantas vezes cobrou de adversários: abrir espaço e recuar.
Caiado chega, Vanderlan perde centralidade

A filiação de Caiado ao PSD não é apenas simbólica. Kassab deixou claro que o governador precisa ter espaço real dentro da estrutura partidária, inclusive na direção estadual. Embora evite afirmar publicamente que Caiado assumirá a presidência do PSD em Goiás, o dirigente nacional reconhece que seria incoerente mantê-lo fora das decisões estratégicas.
Esse novo desenho também afeta diretamente a disputa pelo Senado em 2026. Enquanto Vanderlan tenta sustentar sua pré-candidatura à reeleição, Caiado já sinalizou apoio a outros nomes, como a primeira-dama Gracinha Caiado e o deputado federal Gustavo Gayer. Isso escancara o isolamento político do senador dentro da própria sigla.
Leia também:
-Eleições 2026: Caiado troca o União Brasil pelo PSD e movimenta cenário político nacional
-Ronaldo Caiado diz que PSD garantiu candidatura à Presidência em 2026
Um discurso que cobra o que não praticou

Ao afirmar que espera “desprendimento” de Vanderlan, Kassab expõe uma contradição difícil de ignorar. O senador, que construiu sua trajetória mudando de partido conforme as conveniências eleitorais, agora resiste a uma reacomodação que não lhe é favorável.
A reestruturação no PSD goiano, portanto, vai além de uma simples troca de comando. Ela revela o desgaste de um projeto político personalista, sustentado por alianças circunstanciais, e que agora esbarra no peso de um governador no auge de sua força política.
Se no passado Vanderlan soube ler o tabuleiro no que lhe era conveniente nas mudanças de posições para sua sobrevivencia política, o momento atual cobra dele a mesma habilidade — desta vez, não para avançar, mas para sair de cena.




