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22 de outubro de 2019

CERCA DE 200 FUNCIONÁRIOS DA MINERADORA NIOBRÁS, EM OUVIDOR-GO, GANHARAM FOLGA REMUNERADA DE 15 DIAS; MP PEDIU EM JUNHO DESTE ANO, DESATIVAÇÃO DA BARRAGEM DE REJEITOS

Cerca de 200 funcionários da mineradora Niobrás, em Ouvidor, estão de folga remunerada desde a quinta-feira da semana passada (17/10). Justitificativa do folgão da bondade, é que a mineradora está realizando novos estudos técnos em sua barragem de rejeitos. Foto: Facebook/Reprodução

Reportagem da TV Anhanguera Catalão, destacou o caso da barragem de rejeitos da mineradora Niobrás, localizada no município de Ouvidor. Segundo a reportagem, cerca de 200 funcionários da empresa ganharam folga remunerada nos próximos 15 dias, tudo por conta de que novos estudos técnicos estão sendo realizados na represa de rejeitos.

A reportagem da emissora de TV, também informou, que uma assembleia entre sindicalistas e trabalhadores em mineração, aconteceu na manhã desta terça-feira, 22 de outubro.

Segundo o repórter Arthur Neves, a ideia da assembleia, seria para tranquilizar os cerca 200 funcionários da mineradora que estão de licença remunerada desde a quinta-feira da semana passada (17/10). Também foi discutido no evento, a forma com o que os funcionários irão receber os seus salários.

Em um comunicado dirigido aos funcionários, a mineradora informou que a medida de suspender as operações, seria para realização de estudos adicionais na barragem de nióbio. O estudo, segundo o comunicado, é para melhor entender as estruturas das barragens.

“O que nós temos, pela empresa, oficialmente, é que o laudo de estabilidade da barragem, está homologado na Agência Nacional de Mineração (ANM), e que a empresa está fazendo estudos adicionais porque está esvaziando a barragem, ou seja, fazendo o descomissionamento da mesma. Então, por isso, resolveu se fazer de forma preventiva, um estudo para ver o comportamento disso, e durante esse estudo, mais ou menos de 15 a 30 dias, deixar esse pessoal de licença remunerada”, afirmou Diego Hilário, presidente do Sindicato do Metabase em entrevista para a equipe de TV.

Ao final da matéria, o apresentador disse que a CMOC International Brasil não irá comentar o caso. Já a Agência Nacional de Mineração (ANM), que é ligada ao Governo Federal, informou que as barragens que apresentam problemas ou que estão interditadas, constam no site da companhia, e no site, não têm a barragem da CMOC.


EM JUNHO, MP PEDIU NA JUSTIÇA DESATIVAÇÃO DA BARRAGEM DE REJEITOS DA NIOBRÁS

Foto: Reprodução

Em junho deste ano, o Ministério Público local, exigiu na Justiça, a desativação da barragem de rejeitos na mineradora Niobrás, em Ouvidor-GO. Também foi requerido ao Estado de Goiás, que também é réu na ação, a proibição de conceder licença de instalação da obra de alteamento das Barragens de Rejeitos 1A, 1B, 2A e 2B, caso esteja em análise, e a sua suspensão caso tenha sido concedida.

Também à Niobrás, foi pedida ainda a determinação para que remova, até o dia 15 de agosto deste ano, as instalações de atividades administrativas, de vivência, de saúde e de recreação situadas à jusante (abaixo) das barragens de rejeitos. Os pedidos foram feitos em ação civil pública proposta pelo promotor de Justiça Roni Alvacir Vargas, diante da recusa da empresa em firmar um acordo extrajudicial, por meio de termo de ajuste de conduta.

Releia abaixo, a matéria completa que foi publicada no site do Ministério Público do Estado de Goiás, no dia 27 de junho deste ano:


PROMOTOR COBRA NA JUSTIÇA QUE MINERADORA DE NIÓBIO EM OUVIDOR ESVAZIE BARRAGENS DE REJEITOS

Localização das barragens de rejeitos da Niobrás. Foto: Google Earth

O Ministério Público de Goiás, por meio da 3ª Promotoria de Justiça de Catalão, está exigindo na Justiça que a empresa Niobrás Mineração Ltda. promova o descomissionamento (desativação) da Barragem de Rejeito 1A, no prazo de até 30 dias. Ao Estado de Goiás, também réu, foi requerida a proibição de conceder licença de instalação da obra de alteamento das Barragens de Rejeitos 1A, 1B, 2A e 2B, caso esteja em análise, e a sua suspensão caso tenha sido concedida. 

À Niobrás, é pedida ainda a determinação para que remova, até o dia 15 de agosto deste ano, as instalações de atividades administrativas, de vivência, de saúde e de recreação situadas à jusante (abaixo) das barragens de rejeitos. Os pedidos foram feitos em ação civil pública proposta pelo promotor de Justiça Roni Alvacir Vargas, diante da recusa da empresa em firmar um acordo extrajudicial, por meio de termo de ajuste de conduta.

Conforme detalhado na ação, as barragens possuem alto dano potencial associado, inclusive com possibilidade de atingir dezenas de funcionários que trabalham em instalações situadas à jusante das barragens. O dano potencial associado é aquele que pode ocorrer devido ao rompimento ou mau funcionamento de uma barragem, independentemente da sua probabilidade de ocorrência, com possibilidade de perda de vidas humanas e sérios danos sociais, econômicos e ambientais.

A Niobrás é a segunda maior produtora de nióbio do mundo, sendo responsável pela extração do mineral a partir da mina em Catalão e, posteriormente, o nióbio segue para a usina de beneficiamento em Ouvidor. De acordo com Plano de Ações Emergenciais da empresa, em caso de rompimento das barragens, a onda de rejeitos atingirá o vale à jusante das barragens, local onde se situa um córrego, até a confluência com o Rio São Marcos, totalizando aproximadamente 22 quilômetros de curso de água.

Análise técnica

O promotor apresenta ainda dados de vistoria feita pela Agência Nacional de Mineração (ANM) no local, a qual avalia que as barragens possuem alto dano potencial associado e baixo risco. Além disso, fiscalização realizada pelo Centro Técnico Ambiental da Polícia Militar de Goiás, em fevereiro deste ano, sugeriu diversas medidas preventivas ou reparadoras. 

Os técnicos esclareceram ainda que alteamento a montante (método que a empresa pretende continuar realizando) é o mais barato e menos seguro para construção de barragem de rejeitos. De acordo com o promotor, independentemente dos métodos de alteamento das barragens de rejeitos, existem tecnologias alternativas, como processos que tornam o rejeito seco. “Porém, devido ao custo mais alto para produção nesse sistema, as mineradoras resistem à sua implantação”, sustentou.

Para Roni Vargas, o que agrava a situação das barragens de rejeitos da Niobrás e deve ser considerada para análise do pedido de liminar diz respeito a provável erro de concepção de suas instalações industriais construídas à jusante das barragens, onde trabalham dezenas de funcionários. Ele ressaltou ainda que, depois da tragédia de Brumadinho, a ANM e o Ministério da Economia baixaram normas proibindo instalações industriais com presença humana situadas à jusante de barragens de rejeitos das mineradoras. (Texto: Cristina Rosa / Assessoria de Comunicação Social do MP-GO – foto: Google Earth). 

 

Escrito por: Badiinho Filho/Com informações TV Anhanguera