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16 de agosto de 2019

“NÃO HOUVE DESATIVAÇÃO DE PARTE DA PRODUÇÃO DA JOHN DEERE EM CATALÃO, APENAS A FABRICAÇÃO DE UMA PEÇA DA COLHEDORA DE CANA FOI TERCEIRIZADA PARA EMPRESA DE SP”, EXPLICA CARLOS ALBINO, PRESIDENTE DO SIMECAT

Carlos Albino Rezende Júnior, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Catalão (SIMECAT), concedeu entrevista ao Badiinho do Blog. Foto: Abadio Moisés Filho/Badiinho

Na manhã desta sexta-feira, 16 de agosto, o Blog do Badiinho esteve no Sindicato dos Metalúrgicos de Catalão (SIMECAT), para conversar com o presidente Carlos Albino, a respeito de boatos de que uma parte da linha de produção da fabricante de máquinas agrícolas de Catalão, a John Deere, estaria sendo desativada, o que consequentemente acarretaria em demissões de colaboradores e impactos negativos na economia da nossa cidade.

Em entrevista ao Badiinho, Albino explicou que tudo não passou de um mal entendido, pois trata-se apenas de uma peça da colhedora de cana que deixará de ser fabricada na unidade de Catalão. Afim de baixar custos na fabricação desta máquina, a produção da peça será transferida para uma empresa terceirizada de São Paulo-SP, porém, sem prejuízos e desligamentos de funcionários.  

Segundo Carlos Albino, de 5 anos para cá, a John Deere teria perdido 30% de mercado nas vendas da máquina de açúcar, apelidada de Escorpião, a qual é o carro chefe da produção da unidade de Catalão. A Escorpião, é a colhedora de cana,  a qual custa mais de R$ 1 milhão de reais. Albino explicou ainda, que a máquina citada, tinha mais 70% do mercado, e agora reduziu para 40%, porém, continua na liderança, mas com as outras máquinas produzidas aqui se aproximando, e com chances inclusive de ser ultrapassada.

O presidente do SIMECAT explicou também, que a perda de mercado se deu por decorrência do aumento dos juros aos empresários do setor sucroalcooleiro, explicando ainda, que os donos das usinas não farão um financiamento para pagarem um juro mais alto, para a aquisição de uma máquina mais cara, pois a máquina da John Deere é de 20 a 25% mais cara do que as outras máquinas que estão no mercado. Apesar delas terem mais tecnologias, mas em um momento de crise como este que vivemos, o produtor irá comprar uma máquina mais barata, o que faz com que a John Deere perca mercado.

Diante dessa situação, Albino explicou que a saída da John Deere, é tentar baixar o custo da máquina, e quando isso acontece, o primeiro a ser atingido, é lado mais fraco, ou seja, tentar tirar o direito dos trabalhadores. Na tentativa de reduzir estes custos, durante as negociações, Carlos Albino disse que a John Deere de Catalão veio com uma pauta extensa, batendo na tecla de que ela é a única empresa de suas unidades, que têm 42 horas semanais, benefício este, que segundo o líder sindical, foi conquistado anteriormente por eles.

Na mesma pauta, o líder sindical disse que eles (empresa) alegaram que a John Deere de Catalão é a única empresa do Brasil, que não compensa o feriado de carnaval, enumerando dentre outras séries de benefícios, que segundo Albino, eles (empresa) queriam retirar dos seus colaboradores, mas que foram mantidos durante as negociações (ouça áudio abaixo), comemorando ainda o reajuste salarial de 5%.

Apenas de uma peça da colhedora de cana de açúcar que deixará de ser fabricada na unidade de Catalão,  e sua produção será transferida para uma empresa terceirizada de São Paulo-SP, porém, sem prejuízos e desligamentos de funcionários.  

Com relação ao mal entendido, Albino explicou que a montadora resolveu retira os postos 4,5 e 6, que fabricavam uma parte frontal da colhedora de cana, peça essa que antes era feita em Catalão, a qual foi transferida para ser fabricada em uma empresa terceirizada de São Paulo-SP, pois ficará mais barata ser fabricada lá, do que aqui na fábrica de Catalão.

Indagado pelo Blog do Badiinho se seriam realizados cortes de funcionários com as mudanças na linha de produção, Albino disse que seriam desligados cerca de 20 colaboradores, porém, a empresa não fez a redução, até porque o Sindicato não era de acordo, e como ela está em processo de ampliação dos setores, a espera de uma reação do mercada e um possível aumento na produção, a empresa optou para a mudança de área desses trabalhadores, sendo feita reacomodação destes trabalhadores.

Segundo Carlos Albino, neste ano foram contratados 40 funcionários na John Deere, número este, que ele acredita que possa chegar a 60 até dezembro deste ano, afirmando ainda,  que está em execução os investimentos anunciados em março de 2017.


OUÇA O ÁUDIO DA ENTREVISTA COM CARLOS ALBINO, PRESIDENTE DO SIMECAT:

NOTA OFICIAL DO SIMECAT

Na manhã desta sexta-feira (16/08), a assessoria de comunicação do Sindicato dos Metalúrgicos de Catalão (SIMECAT), emitiu uma nota explicando as mudanças na linha de produção na unidade da John Deere em Catalão, onde na mesma nota, também é explicado o reajuste salarial dos trabalhadores da John Deere. Leia abaixo: 

NOTA DE ESCLARECIMENTO SOBRE MUDANÇAS NA LINHA DE PRODUÇÃO DA JOHN DEERE

O Sindicato dos Metalúrgicos de Catalão (SIMECAT), como representante legal dos trabalhadores da John Deere, esclarece que, as mudanças realizadas em uma parte da linha de produção da multinacional, em Catalão, não representa perda de postos de trabalho.

Como estratégia de mercado, no intuito de reduzir preço de máquina e aumentar a competitividade no setor, a John Deere transferiu a fabricação de uma peça que integra as máquinas colhedoras de cana para São Paulo. As peças serão produzidas no estado paulista e, posteriormente, montadas em Catalão.

Aproximadamente 20 postos de trabalho, que eram responsáveis pela produção da peça, foram remanejados para outros setores da fábrica. Afinal, em 2017, a John Deere anunciou investimentos de quase 100 milhões para ampliar a unidade e aumentar a capacidade de produção em Catalão.

Portanto, o SIMECAT reafirma que apenas uma parte da linha de produção sofreu alteração, o que não implica em demissões em massa ou prejuízos para os trabalhadores e/ou para a nossa cidade.

ACORDO GARANTE REAJUSTE NOS SALÁRIOS DOS TRABALHADORES DA JOHN DEERE

Os trabalhadores da John Deere aprovaram, no dia 26 de julho, o acordo coletivo de trabalho 2019/2020. A proposta aprovada garante reajuste salarial de 5% para funcionários operacionais e administrativo até a grade 7; e o valor de R$ 307 de reajuste para os funcionários da grade 8 acima, ambos retroativos a maio. O piso salarial e o auxílio creche também foram reajustados em 5%. O vale alimentação passa a ser de R$ 400,00, também retroativo a maio, e a jornada semanal de trabalho se mantém em 42 horas.

A data-base dos trabalhadores é o mês de maio. O índice de reajuste é a reposição da inflação acumulada no período de 12 meses. Após meses de negociação e resistência dos trabalhadores, o ACT foi fechado garantindo alguns avanços. Diante do cenário desfavorável para a classe trabalhadora, a luta tem o objetivo de manter o que já foi conquistado no passado.

 

Escrito por: Badiinho Filho