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10 de agosto de 2019

POLÍCIA CIVIL PRENDE QUADRILHA DE TRÁFICO INTERNACIONAL DE DROGAS; 3 AERONAVES E 11 CARROS DE LUXO FORAM APREENDIDOS

Governador do Estado de Goiás, Ronaldo Caiado, ao lado de policiais e parte do que fora apreendido durante a operação denominada de Icarus. Foto: Divulgação da PCGO/Reprodução

A Polícia Civil do Estado de Goiás, por meio do Grupo Antissequestro (GAS) da Delegacia Estadual de Investigações Criminais (DEIC), apresentou nesta sexta-feira (9) o resultado da Operacão Icarus. Cuida-se de complexa investigação policial que durou cerca de seis meses.

As investigações se iniciaram a partir do desaparecimento do piloto Bruce Lee Carvalho dos Santos, ocorrido no dia 12 de dezembro do ano passado.

Durante as investigações, descobriu-se que Bruce Lee fazia parte de uma grande organização criminosa voltada ao tráfico de drogas e lavagem de capitais. A organização cooptava pilotos de aeronaves para realizarem voos com o propósito de buscar drogas em países vizinhos, principalmente Bolívia, Colômbia e Peru.

Esses voos são extremamente arriscados, pois são feitos com aeronaves modificadas para o aumento de autonomia, reabastecidas durante o voo através de galões de combustível. As aeronaves fazem voos extremamente baixos para fugir do controle aéreo e com equipamentos de localização, como transponder, desligados.

Utilizando deste método, a droga era trazida via estado do Pará com destino a Goiás, na já conhecida “rota caipira” do tráfico de drogas. Já no Brasil, a droga era armazenada e preparada para ser exportada para países da Europa, principalmente França, Holanda, Alemanha e Bélgica.

Diversos artifícios eram utilizados para a remessa da droga, escondida em meio a produtos destinados à exportação, como granito, mármore e também em cargas de gêneros alimentícios. No caso de cargas menores, a organização também se utilizava de “mulas” que levavam o entorpecente em bagagens de voos regulares para a Europa. Parte da quadrilha era especializada na lavagem do dinheiro oriundo da atividade criminosa, utilizando-de de empresas para dar aparência de legalidade ao dinheiro obtido com o crime.

Os membros da organização, comandada por um holandês radicado no Brasil, viviam uma vida de luxo, ostentando viagens para Dubai, Ilhas Maldivas, passeando em carros de luxo, vivendo em condomínios fechados etc.  

Foram apreendidos dois jatos de propriedade dos chefes da organização (jatos Dassault Falcon e Cessna Citation) e um helicóptero (Eurocopter EC 130) utilizado com frequência e também de propriedade dos chefes.

A ostentação era tal que há registros na imprensa do helicóptero apreendido de prefixo PR-MMA pousando em meio a um lote baldio em Palmas/TO para que os tripulantes pudessem comprar gelo para uma festa.

No tocante a Bruce Lee Carvalho dos Santos, sabe-se que este pilotava um avião Piper Sêneca de prefixo PT-VPH de propriedade da organização criminosa à época do seu desaparecimento. Assim como o piloto, a aeronave encontra-se desaparecida desde o mês de dezembro de 2018. Há indícios de que tenha caído em um lago na Bolívia após colidir com um fio de alta tensão, embora o avião e o corpo nunca tenham sido encontrados.

O Poder Judiciário, a partir da representação da Polícia Civil, expediu mais de uma dezena de mandados de prisão, que foram cumpridos em Goiânia, Santana de Parnaíba (SP) e São Félix do Xingu (PA), cidade na qual tivemos apoio da Polícia Civil do Pará.

Ao todo, a Polícia Civil de Goiás cumpriu 20 mandados de busca e apreensão. Seis pessoas foram presas nos estados de Goiás, São Paulo e Pará. Ainda há foragidos sendo procurados. Foram apreendidos 11 veículos (5 em São Paulo, 5 em Goiânia e 1 no Pará).

A Deic também apreendeu 571 mil reais, dentre os quais 77 mil dólares, dois jatos executivos e um helicóptero, além de um jetski. Uma das aeronaves foi apreendida em Sorocaba, interior paulista, já o outro jato e o helicóptero foram apreendidos em Goiânia. Os policiais civis também apreenderam 8 relógios Rolex e 5 Hublot durante as buscas.

Foto: Divulgação da PCGO/Reprodução


Sobre o nome da operação

A operação foi batizada com o nome Icarus em referência a um personagem da mitologia grega. Icarus é um deus que voou muito próximo do sol e acabou morrendo porque suas asas eram de cera e derreteram.

Fotos: Divulgação da PCGO/Reprodução 

Escrito por: Redação/Fonte: Polícia Civil do Estado de Goiás